Justiça marca para 2027 audiência de ex-governador Silval Barbosa e outros 18 réus da Operação Rota Final


A Justiça de Mato Grosso marcou para 15 de fevereiro de 2027, às 14h, a audiência de instrução e julgamento de 19 réus investigados na Operação Rota Final, que apura um suposto esquema de corrupção relacionado ao transporte coletivo intermunicipal no Estado.

Entre os réus estão o ex-governador Silval Barbosa, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e empresários e servidores públicos. A audiência foi marcada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, e deverá ocorrer de forma virtual.

Na decisão, o magistrado também rejeitou os argumentos apresentados por advogados de alguns dos acusados, que alegavam não ter tido acesso integral aos autos do processo.

A ação penal é resultado de denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e envolve suspeitas dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Processo passou por diferentes instâncias

O processo teve início no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em razão do foro por prerrogativa de função de alguns dos investigados, que ocupavam mandatos parlamentares.

Posteriormente, houve o desmembramento da ação. O processo relacionado a Silval Barbosa chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) por causa do foro decorrente do cargo de ex-governador. O STJ determinou a separação do processo em relação a ele e encaminhou os demais acusados para a unidade judiciária especializada.

A denúncia foi recebida em 23 de setembro de 2021. Atualmente, a ação contra os demais réus tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

O que aponta a Operação Rota Final

Segundo o MPMT, as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) apontaram a existência de uma organização criminosa que teria sido liderada pelo empresário Éder Augusto Pinheiro.

Conforme a denúncia, o grupo teria atuado para impedir ou atrasar a implantação de um novo sistema de transporte coletivo rodoviário intermunicipal em Mato Grosso, o STCRIP/MT.

Uma das estratégias apontadas pelos investigadores seria impedir a realização da Concorrência Pública nº 01/2017, conduzida pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). A intenção, segundo a acusação, seria manter empresas ligadas ao grupo operando linhas intermunicipais sem a realização de uma nova licitação.

Ainda de acordo com o Ministério Público, os investigados teriam tentado prorrogar concessões até 2031, além de utilizar supostos pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos.

As investigações também apontaram suspeitas de movimentação de dinheiro por meio de pessoas e empresas, além de ações judiciais que, segundo o MPMT, teriam sido utilizadas para atrasar o processo de licitação.

O Ministério Público afirma ainda que servidores públicos teriam criado dificuldades administrativas para uma empresa vencedora de dois lotes da nova concorrência.

Durante as investigações, foram bloqueados aproximadamente R$ 86,6 milhões em bens e valores relacionados aos investigados, incluindo imóveis, veículos, apartamentos e contas bancárias.

Ao final da ação, o MPMT pede, entre outras medidas, a fixação de R$ 86.655.865,40 como valor mínimo para reparação dos supostos danos causados e a perda de eventual cargo, função pública ou mandato eletivo dos denunciados.

Importante: as acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os réus têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.





Fonte: Primeira Página
Data: 22/08/2026