Emocionada, prefeita de Várzea Grande diz que prefeitura "junta moedas" para pagar salários


Flávia Moretti afirma que bloqueio judicial de R$ 19 milhões e dívida bilionária em precatórios colocam as contas do município em situação crítica; TCE instala mesa técnica para buscar soluções.

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, se emocionou durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (28), no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), ao comentar a grave situação financeira enfrentada pelo município. Ao falar sobre a dificuldade para manter as contas em dia, ela afirmou que a administração está "juntando moedas" para conseguir pagar os salários dos servidores.

A declaração foi feita após ser questionada sobre a possibilidade de cortes na estrutura da prefeitura e até mesmo demissões em razão da crise provocada pelo pagamento de precatórios. Segundo a gestora, todas as alternativas estão sendo avaliadas, especialmente porque a reunião realizada no TCE não resultou na suspensão imediata do bloqueio judicial de R$ 19 milhões das contas municipais.

Durante a coletiva, Flávia reconheceu que o município enfrenta dificuldades para fechar a folha salarial.

"Não vou mentir que nós estamos com dificuldade de juntar as moedas para pagar o salário. Não é mentira, mas nós estamos tomando as providências", afirmou.

A prefeita explicou que, em alguns momentos, a administração precisou escolher entre quitar parcelas dos precatórios, pagar os salários dos servidores ou garantir a compra de medicamentos para abastecer as unidades de saúde. Ela informou ainda que a prefeitura já apresentou recursos na Justiça e pretende recorrer também ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em busca de uma solução.

Dívida bilionária

Segundo Flávia Moretti, Várzea Grande acumula aproximadamente R$ 1,2 bilhão em precatórios. Desse total, mais de R$ 500 milhões estão relacionados ao Departamento de Água e Esgoto (DAE), principalmente por débitos de energia elétrica acumulados ao longo de décadas.

Como o DAE não possui capacidade financeira para quitar os valores, a responsabilidade pelo pagamento acabou sendo transferida ao município, agravando ainda mais a situação das contas públicas.

Além disso, a prefeita informou que o plano de pagamento dos precatórios consome cerca de R$ 6,4 milhões por mês. Somado à redução das transferências de recursos e ao bloqueio judicial de R$ 19 milhões, o cenário compromete significativamente a capacidade financeira da administração municipal.

TCE cria mesa técnica

Durante a reunião, o Tribunal de Contas de Mato Grosso decidiu instalar uma mesa técnica para analisar a situação dos precatórios de Várzea Grande. A iniciativa foi solicitada pela prefeitura e será coordenada pelo conselheiro Antônio Joaquim, relator das contas do município.

De acordo com Flávia Moretti, os primeiros debates já abordaram questões relacionadas ao orçamento, às receitas, às despesas e às transferências constitucionais recebidas pelo município. A expectativa é que técnicos do tribunal avaliem alternativas para compatibilizar o pagamento dos precatórios com a manutenção dos serviços públicos essenciais.

O conselheiro Antônio Joaquim destacou que o problema foi acumulado ao longo de várias administrações e afirmou que a mesa técnica buscará soluções que reduzam os impactos financeiros não apenas para Várzea Grande, mas também para outros municípios que enfrentam situação semelhante.

Já o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, classificou o cenário como preocupante e alertou que a continuidade dos bloqueios judiciais pode comprometer o funcionamento da administração municipal. Entre as alternativas discutidas está o encaminhamento de um projeto de lei à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), permitindo acordos diretos com credores, com descontos de até 40%, para reduzir o estoque da dívida e acelerar a quitação dos precatórios.





Fonte: Primeira Página
Data: 29/07/2026